Oficina com as crianças

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Numa primeira reunião com a comunidade de Coroca, na parte baixa no Rio Arapiuns, no Pará, conversamos sobre as necessidades e interesses do grupo pelo nosso projeto, e uma de suas solicitações seria realizar uma oficina fotográfica para as crianças.

Dois dias depois, o professor Benevan aparentando seus trintas e poucos anos, ao contrário das crianças, impacientes e ansiosas, se organizam em círculo e nos aguardam.

Preparamos dinâmicas que despertassem o desejo das crianças em registrar suas histórias, sua própria comunidade e ter um contato com a câmera diferente das situações quando os turistas chegam nessas regiões com objetivo de registrar locais por onde passaram. No projeto Fotosíntese, a comunidade é detentora e ativa no registro das imagens.

As crianças fotografaram a igreja, o campo de futebol, a Associação, a casa mais antiga. Criamos situações que pudessem registrar suas rotinas, seus gostos pessoais, brincadeiras, afazeres de casa, a escola, o professor, a árvore mais importante da comunidade (Jambuzeiro), a criação de tartaruga, as cestarias, as artesãs.

Uma das dinâmicas era fotografar a pessoa mais nova e a mais velha da comunidade. Os grupos de crianças saíram com suas câmeras e sem nenhuma dúvida correram para o mesmo local. Para nossa curiosidade, os retratados (a pessoa mais velha e a mais nova) moravam na mesma casa, a do Sr Pedro.

Cada retrato foi registrado por crianças diferentes e o resultado visual foi surpreendente. Cortes abertos, fechados, mais de cima, mais de baixo. A que mais me intrigou foi do enquadramento sem a cabeça. Ele tinha tanta certeza que era o Sr. Pedro que nem precisava aparecer o rosto? Ou o fotógrafo era tão pequeno que clicou sob seu ponto de vista, de baixo?

Sr Pedro, avô de Gabriel, costuma ficar muito tempo acomodado na sacada com sua cadeira, perto da rede e o bebê Gabriel, fica boa parte na rede quando sua mãe está nos afazeres de casa.

As crianças contaram suas histórias com as suas próprias imagens, trocamos ideias, vivências, brincamos e nos sentimos gratos por ter feito parte da história deles. Que essas crianças se apoderem da câmera fotográfica para quando voltarmos, conhecermos um pouco mais dessas histórias.

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