Pé sujo

_O1A3319

Algumas vezes me pego pensando sobre as pequenices que vivi naqueles dias de expedição. Tal qual passar o dia fitando os pés dos ribeirinhos e os nossos, pois não me conformava em terminar o dia com pés imundos e o deles limpinhos como começaram. Todos usávamos chinelos.

Infelizmente não aprendi tal façanha, mas divaguei sobre como somos muito mais afetados e transformados quando estamos fora da nossa zona de conforto.

Além do nosso corpo, nossos sentidos ficam muitos mais aguçados para o cotidiano, as relações, as experiências, as teias de aranha e as aranhas também. Porque vocês não fazem ideia do tamanho de uma caranguejeira que ficou ali, lado a lado com a gente enquanto fotografávamos alguns quintais.

Enfim, sair da nossa zona de conforto gera aprendizado, porém quando a transição tem caráter definitivo pode causar perdas.

Eu nasci e cresci no interior de São Paulo, numa terra para lá de quente e sempre vivi bem. Desde que me mudei para São Paulo, quando volto para visitar meus pais a pressão cai, o corpo não aguenta as roupas e é quase impossível sair de perto do ar condicionado.

Passear fora da zona de conforto é bom o suficiente. E pertencer e permanecer num território tem o seu valor. A simbiose.

“Simbiose é uma relação mutuamente vantajosa entre dois ou mais organismos vivos de espécies diferentes.”

A tradição mantida por essas comunidades ajudam na preservação da floresta, das águas e da nossa cultura.

Que possamos sempre expiar novos horizontes, mas não esquecer nossas raízes.