O valor do “fio do bigode”

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Tudo nasceu de uma conversa. Desdobrou-se em outras tantas regadas a café e somou ouvintes e integrantes. A trupe cresceu e tendo ultrapassado os limites físicos da cidade, passou a acontecer virtualmente, mas ainda olhos nos olhos. Nada transcrito, assinado e registrado em cartório.

Chegamos a Santarém e lá estava a nossa espera o táxi que nos levou ao barco onde encontramos o Marcio (Produtor Local), o Boni (Marinheiro) e a Cideca (Cozinheira) que contribuiriam com nosso projeto muito além do combinado, com o proseado frouxo e cheio de peculiaridades.

Passamos ao longo dos dois primeiros dias por algumas comunidades para conhecer, apresentar nossa proposta de trabalho e no “fio do bigode” firmar nosso compromisso de retornar ali dia tal, horário tal para as atividades. E seguíamos.

Sem conseguir falar com nenhuma delas entre o primeiro contato e nossa volta, retornávamos e lá estavam eles nos aguardando como combinado.

Nada disso me chamou a atenção, parecia tudo normal e corriqueiro. Até testemunharmos um acordo com fins comerciais de um novo morador da comunidade. Reuniram-se, todos puderam falar e serem ouvidos, chegaram a um consenso e selaram cordialmente o acordo com um simples e valioso aperto de mãos.

Deste momento em diante, me dei conta do valor da oralidade. Aqui ninguém precisa confirmar o combinado por e-mail ou whatsapp. E por que haveria de ser? A própria tradição é passada através das palavras.

As palavras ditas não soaram como novidade. Também fazemos uso delas, e de forma excessiva. Espantou-me as palavras ouvidas!