Coroca

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Coroca.
Palavra indígena que define: 1. Volta ou nó na linha de pesca. 2. Caduco; decrépito. 3. Pessoa muito velha. Em Tupi-Guarani significa literalmente “resmungar, sussurro”.

E lá se vive da pesca e se vive de conhecimento passado de geração a geração através da oralidade dos caducos e decrépitos e muito velhos. As crianças vivem soltas em contato com a mãe natureza e dela brotam brinquedos, brincadeiras e conhecimento. Há vida tecida nó a nó, artesanato vivido dia a dia. Mel e tartarugas.

A “rede” de informações que os habilita a usar a natureza com sabedoria é tecida pelas mãos dos que na pratica já testaram, aprenderam e aprimoraram. Os guardiões do conhecimento funcionam como peneiras e garantem que só o que é útil a sobrevivência do coletivo deve passar.

Não. Lá não tem café expresso com barrinha de proteína, trânsito, infinitas manchetes, reuniões infindáveis de trabalho para analisar os não resultados e desenhar planos de ação e reação, novos restaurantes e confeitos para experimentar, happy hour para manter a rede de relacionamentos ativada – afinal de contas nunca se sabe se amanhã não precisarei daquele contato para uma oportunidade de emprego ou negócio, peças em cartaz nem filmes indicados ao Oscar, ginástica, meditação, calcular as calorias, conferir a nova tendência… nem BBB.

Sim. A vida não é frenética. Mas caminha a passos de tartaruga. Ninguém posta incessantemente no Facebook. Ou no Instagram. Ou qualquer outra rede social o que esta fazendo. Ali posta-se você, a janela para observar o que se passa.