Fui feliz, de novo

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No barco fez-se leito e fez-se banho. Fez-se também a ceia, fez-se o nosso canto.

Pensar que ali no meio da imensidão das águas um pequeno espaço fez-se múltiplo. Multifuncional.

Aqui na cidade, mergulhados em meio ao consumismo criado por nós, precisamos de espaço para almoçar, outro para o jantar, um quarto para dormir, outro para brincar, espaço para trabalhar, outro para receber os convidados, mais um para os funcionários. Há banheiro para se banhar , sala de TV, mas também a de visita, não esqueçamos a sala da lareira para aconchegar quem nem sequer chega. Tem TV na sala de TV , em alguns quartos, na sala de almoço, no espaço gourmet, tem até quem tenha no banheiro e na cozinha.

Quero lembrar de uma coisinha.

A arte de saber repensar funções de espaços e objetos a gente desenvolve nos primeiros passos. Quando ainda somos coisinhas fofas e cheias de querer. Que de tanto querer acabamos por criar. Criatividade que brota do desejo e esse, não encontra o seu par.

O que vejo hoje com pesar e diria até com um pouco de culpa por as vezes, muitas, deslizar e compactuar, são pares avulsos brotando. Não se encontra mais desejo. E assim moldamos uma geração geradora de lixo. Porque todo excesso é resíduo.

Resíduo de minha infância foi a criatividade – obrigada mãe e pai.

Fui feliz, de novo, na multiplicidade da simplicidade.