O dia “D”

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Sempre chega o dia “D”. De realizar o sonho, colocar em prática o planejado e, o melhor de todos, em minha humilde opinião, “D” ver que tudo pode ser diferente.

Após meses de reuniões em cafés, via skype, emails, planilhas e apresentações, finalmente havia chegado a hora de arrumar as malas e deixar o sonho descolar nossos pés do chão. Mas tão forte e habitual como acordar e escovar os dentes, rapidamente, planejei tudo o que não poderia deixar de levar, para não faltar nada e menos ainda, sobrar. Mas onde estava minha Backpack?  Afinal de contas… Para quem mesmo eu emprestei? Enfim, tive que levar para uma viagem de barco na Amazônia minha mala de rodinhas e quanto menor ela fosse, igualmente seria o meu vexame.

Mesmo com tudo super-calculado, não usei metade das minhas coisas. Eu que, já me acho o “Ás” da praticidade, percebi que ainda carrego comigo muita coisa que preciso deixar pelo caminho da vida. As trocas com os moradores das comunidades foram tão simples e por essa razão, tão profundas que, trocar de “look”, era como querer não estar ali. Porque ali, eles vestiam-se de verdades, e de algumas, eu já não mais me lembrava. As trocas corriqueiras de gentilezas e proseado, um café coado no pano, para receber uma visita inesperada, que se torna desejada, são eventos deliciosos.

E assim, como senti a necessidade de rever muitas coisas em minha mala e em minha vida, aconteceu também com o projeto. Porque tem um ingrediente na vida que não podemos mensurar, organizar e nem controlar. O acaso. Da combinação múltipla e infinita dele com todas as partes e detalhes envolvidos, muitos novos desdobramentos surgem e nos levam a novos rumos e horizontes ainda mais inusitados. E, justamente por não terem sido sonhados ou planejados, nos permitem sermos surpreendidos e encantados mais uma vez, como genuína e espontaneamente acontece com as crianças.